sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Um desabafo

Tomei a liberdade de postar esse texto do meu amigo João, pois além de achá-lo fantástico, expressa exatamente o tamanho da minha revolta também! Quem pode fazer alguma coisa pelo povo é o próprio povo, lembrando que vivemos em um regime democrático.

Por João Domingos Batiston Bimbato
Quem mora no DF tem vontade de fugir. O lugar é uma piada pronta, mas de muito mau gosto. Com tudo o que acontece nesse fim de mundo, que, note-se, poderia ser um modelo de sociedade, eu só tendo mesmo a constatar o seguinte: o GDF, se não o Estado brasileiro, tem um plano para exterminar toda a população brasiliense, ou brasileira.

Começa pelo básico, a educação. As escolas públicas de Brasília, à exceção de muito poucas, são vergonhosas. Os alunos não têm condições físicas nem pedagógicas de aprender alguma coisa. Primeiramente, porque, nem em casa, eles têm o que comer. Aí vão para a escola. Chegando lá, algum safado roubou o dinheiro da merenda. Sem muito o que fazer, a criança é mandada para uma sala de aula, mas cadê a carteira? O bravo professor escreve numa lousa que está caindo aos pedaços, mas os livros dos alunos não foram distribuídos pela Secretaria de Educação.

Depois vem o trânsito. Os sortudos (sim, no caso do DF são sortudos) que não precisam usar os ônibus nojentos e vagabundos, pois têm um carro, ficam parados horas a fio em um trânsito que não anda. Os que recorrem, por motivos econômicos ou ideológicos ao transporte público, se vêem esmagados dentro de verdadeiras latas de sardinha, tomando cuidado para não se cortarem, porque, se não, pegam tétano. Ou para não engravidarem. A faixa exclusiva de ônibus está aí, enche a boca o Governador para tentar iludir a população de que mora numa cidade moderna, cheia de infraestrutura. Mas a tal faixa passa pelo lado esquerdo da pista, com as paradas no mesmo lado, mas as portas dos ônibus ficam do lado direito dos veículos! E o povo, cansado que está por causa do trânsito e das extenuantes jornadas de trabalho, acha ruim, mas não protesta, porque o fim de semana está chegando e tem que descansar. 

Por fim, não há casa, nem diversão, nem saúde. Quando se chega a um ponto em que se tem de pagar R$ 3.000,00 pelo aluguel um apartamento de 2 quartos no Plano Piloto, R$ 500,00 reais em um ingresso de circo ou de show e não há quem atenda nos hospitais públicos, e particulares, como se viu recentemente, é preciso parar e questionar. Afinal, para que servem os R$200 bilhões de dólares que o povo já pagou esse ano ao Estado? Isso, em pleno fevereiro de 2012. 

Talvez esse dinheiro esteja sendo usado para aumentar uma piscina no Lago Sul, na casa de um desses argentários deputados distritais (que servem pra quê?), que, além de aumentarem suas verbas indenizatórias de R$ 11 mil para R$ 20 mil, agora têm um carro só para servi-los. As Excelências não podem reclamar de nada. 

Tudo isso, aliado ao que foi mencionado no primeiro parágrafo - falta de educação - , gera um povo mesquinho, sem responsabilidade social, que não gosta de estudar e que não se importa com as mazelas de que sofrem, dando risada quando se fala delas. O plano parece perfeito. Continuamos assim, e os brasileiros, se nada for feito nos próximos anos, acabarão. E as Excelências? Estarão em Miami, Paris ou outro lugar aonde o povo não pode chegar. 

O único que pode salvar o povo de si mesmo é o próprio povo, que não deve perpetuar o que a própria legislação já limita, que é o tempo de mandato de autoridades aproveitadoras. Mas voto consciente só começa com educação de qualidade. E lá vamos nós ao ciclo novamente. Pensa, DF, pensa, Brasil!

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