quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Evangelho, simplesmente.

Achei fantástico esse artigo e resolvi compartilha-lo aqui. 
Por Igor Miguel

O evangelho é relativamente simples. Tão simples, que confunde os homens mais habilidosos. Não é um evangelho que se conforma a nossas expectativas. É uma antítese. É a negação das expectativas. O evangelho mostra quão vulgar, quão depravadas são nossas expectativas. O evangelho toca nas dimensões mais profundas. Joga luz nas trevas revelando toda decadência humana.

Hannah Arendt falava sobre o "mal latente". Como demorou para o mundo entender isso. O homem só voltou a aprender o que os antigos diziam, depois de coisas terríveis como o holocausto. Sim, o homem, em seu atual estado, é mal. O mal o desumanizou. Uma consciência agostiniana de mal absoluto, de vulgarização bem nos termos de Paulo, quebra dos vasos nos termos dos místicos judeus. Tudo estilhaçado!

Nesse estado de absoluta perdição e desorientação. Não há nada, repito, absolutamente nada no homem que possa livrá-lo desta angústia. Não há um "deus interior", não há introspecção, não há autonomia, não há nada em sua subjetividade que possa orientá-lo. Um olhar para dentro, só causará mais angústia, terror e desespero. Pois haverá um conflito entre a reminiscência de um Imago Dei (imagem de Deus) e uma condição distorcida, uma consciência de que algo está fora do lugar. Há feiúra no coração!

Também, não se achará solução em outros homens, em nenhum guru iluminado, uma filosofia pós-moderna ou uma negação teórica de toda realidade. Não! Nada disso pode orientá-lo. Pois, o mal fundamental ainda não pode ser confrontado por nenhum destes meios.

A grande verdade é que enquanto o homem odiava a Deus, enquanto ele abominava os caminhos amorosos de Deus, Ele (Deus) o amava na forma mais extrema. Enquanto, sob o homem só repousava dura punição e juízo, nos termos mais "antiquados" e mais justos da Bíblia, Deus entregava Seu Filho.

Jesus pode ser interpretado sob várias óticas. Pode ser interpretado sob uma ótica socialista, histórica, filosófica, antropológica, mas ainda não se chegará ao fundamento de sua missão.

Jesus foi amaldiçoado! Foi vulgarizado! Violentado! Aquilo que aconteceu na cruz não era pra Ele, era pra mim. Se há algum mérito em mim e em qualquer homem, este mérito era o absoluto juízo, sem qualquer misericórdia. Pergunta-se: então o que ele faz lá? Desce daí Jesus, aí é meu lugar! Saí daí, este juízo é meu! Pedro teve a mesma sensação e foi repreendido.

Mas, dEle, de Deus o Pai procedeu algo que se movimentou, o processo foi interrompido, o juízo foi banido pela obediência do filho. Jesus se submeteu ao juízo ao receber tudo que eu merecia, toda violência que eu era digno. Agora, segundo o beneplácito de Sua perfeita e amorosa vontade, Ele me transportou das trevas, para o Reino do Filho do seu amor.

Sim, não vem de mim! Vem dEle, absolutamente dEle! Sobre todas as racionalizações. Sobre todas as lógicas. Sobre todas as hipóteses. Dele, absolutamente dEle procede toda salvação. A Deus pertence a salvação!

Após esta tensão entre juízo e misericórdia, lágrimas se rompem, retratação, admissão de todo pecado, de toda mancha, arrependimento, simples retorno a Deus por meio da morte indigna que Seu filho recebeu em nosso lugar.

Neste ponto, grande alegria, indizível, indescritível alegria. Tudo faz sentido! As cores fazem sentido! A vida começa a fazer sentido! Graça sobre graça! Glória em Glória! Nova condição! Novo nascimento! Nova vida!
Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fossemos chamados filhos de Deus. (I Jo 3:1).

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